Crack pode provocar parada cardíaca

por Tisa Moraes


Mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, o crack é um dos estimulantes mais potentes de que se tem conhecimento. Em poucos meses de uso, o entorpecente provoca forte dependência física e pode levar à morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

“O crack tem um efeito avassalador no organismo e na vida do usuário”, avalia a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) de Bauru, Luciana de Oliveira Martins. Ela explica que a droga demora apenas 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos, entre eles forte aceleração dos batimentos cardíacos e aumento da capacidade física e mental.

Mas se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a aparecer. Em 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário, chegarão inevitavelmente o desgaste físico e a prostração. “Por esse motivo, ocorre essa dependência quase que imediata. O usuário sempre vai querer mais e mais”, frisa Martins, destacando que o consumo elevado da droga pode levar até mesmo a uma parada cardiorrespiratória. Ela avalia que o vício em crack representa um risco ainda maior quando associado ao manuseio de instrumentos de corte, como é o caso dos lavradores nos canaviais, na medida em que altera a capacidade de percepção do usuário.

“Durante o período em que está sob o efeito do crack, o usuário fica tão eufórico que não consegue coordenar suas ações. Ele age apenas mecanicamente”, aponta. Em seis meses de uso contínuo, segundo Martins, o dependente químico já não consegue desempenhar suas atividades cotidianas e começa a apresentar quadros de tristeza e depressão profunda.

O terapeuta Edson Barboza contribuiu para este
Artigo publicado em 15/06/2008 no Jornal da Cidade de Bauru